Denúncia de racismo em Palmas: criança chora e sofre com ações e apelidos de colegas; Entidade repudia

Criança tem apenas 5 anos – Foto: Arquivo Pessoal

Um caso grave de racismo envolvendo uma criança de apenas 5 anos foi denunciado pela mãe do menino, Lourany Morais, e pela União de Negros e Negras pela Igualdade (UNEGRO). O episódio ocorreu em um Centro Municipal de Educação Infantil (CMEI) de Palmas.

Segundo Lourany Morais, seu filho vinha sofrendo atos de racismo há meses por parte de colegas de turma, que frequentemente zombavam de sua cor de pele e o chamavam de “macaco” e diziam que ele “comia banana”. Os ataques aconteciam especialmente quando o menino expressava o desejo de se fantasiar de super-heróis como Hulk ou Homem-Aranha, sendo desqualificado pelos colegas que afirmavam que esses heróis “não eram pretos”.

O caso mais recente ocorreu durante uma atividade escolar em que os alunos foram incentivados a se fantasiarem. Como não tinha condições de comprar uma fantasia, a mãe da criança pintou o rosto do filho para que ele pudesse ir caracterizado como Capitão América. No entanto, ao chegar à escola, ele foi novamente alvo de chacotas por parte dos colegas, que riram e debocharam dele até que ele retirasse a pintura do rosto, chorando.

Além das ofensas verbais recorrentes, a criança também teria sido agredida fisicamente por colegas. Segundo a denúncia feita pela UNEGRO, o menino chegou em casa chorando e perguntando à mãe se ele era bonito e se algum dia ficaria branco. “Ele é 24 horas perguntando se ele é bonito, se a cor dele é bonita, por que ele não nasceu branco, se ele banhar ele vai ficar branco. Isso dói para quem é mãe”, desabafou Lourany Morais à Gazeta.

A mãe relata que, mesmo após procurar a coordenação pedagógica da escola e informar os nomes dos alunos responsáveis pelos ataques racistas, nenhuma providência efetiva foi tomada. Segundo Lourany, a direção prometeu conversar com os pais dos alunos envolvidos e encaminhar Gael para acompanhamento psicológico, mas até o momento isso não ocorreu.

“Falaram que iam passar ele pelo psicólogo e até hoje não passaram, não conversaram comigo sobre isso e eu quero a resposta. Quero o menino quer mudar de escola, o menino quer mudar de sala, o menino não dorme de noite. São 24 horas perguntando se ele é bonito, se a cor dele é bonito, porque ele não nasceu branco, porque ele não é branco, se ele banhar ele vai ficar branco, isso dói para quem é mãe, é constrangedor. Estou desde ontem mal. Então, não é fácil, toda vez que falo nisso eu choro, porque não é fácil e hoje vou tentar resolver na escola e dependendo do que acontecer, a resposta que elas me derem eu vou atrás do meu direito. Porque eu sou mãe e não botei meu filho no mundo para outras crianças baterem ou discriminar. Hoje vai ser resolvido da melhor forma. Eu espero que seja resolvido”, contou Lourany, emocionada.

A reunião acontece na tarde desta quinta-feira, 03, e segundo Lorany, diretora, assistente social e psicóloga estavam presentes. “Falaram que meu filho não relata na escola o que tá acontecendo, relata só pra mim, aos parentes, e que ela (diretora) vai começar a trabalhar com os alunos da sala, em termos de racismo, essas coisas. E que a psicóloga também vai conversar com ele para poder ter mais confiança, começar a gostar mais da sua cor, e ele aceitar a cor dele. E também vai ensinar aos alunos. Foi isso que me passaram, que vai ter o acompanhamento com o psicólogo, se possível”, contou a mãe à Gazeta.

Revolta e exigência de providências

A UNEGRO manifestou indignação com o ocorrido e cobrou respostas imediatas da Secretaria Municipal de Educação de Palmas. A entidade destacou que o racismo nas escolas é um problema estrutural que precisa ser enfrentado com seriedade e urgência.

“É inadmissível termos profissionais da educação despreparados para lidar com tais situações em ambiente escolar. É inadmissível que os materiais didáticos e escolares adotados pela Secretaria Municipal de Educação não cumpram os dispositivos legais como a Lei 10.639/03”, afirmou a UNEGRO em nota oficial.

A Lei 10.639/03 torna obrigatório o ensino de história e cultura afro-brasileira e africana em todas as escolas do país, visando combater o racismo e promover o respeito à diversidade. No entanto, segundo a UNEGRO, a falta de preparo e sensibilidade dos educadores diante de episódios como o sofrido por Gael evidencia o descumprimento da legislação.

A UNEGRO informou que continuará acompanhando o caso e exigindo providências concretas das autoridades competentes. “Acolhemos a denúncia, estamos dando publicidade e faremos o acompanhamento até que este caso de racismo gravíssimo seja solucionado da forma correta, coerente e pedagógica perante a sociedade palmense”, destacou a entidade.

Secretaria Municipal de Educação ainda não se pronunciou

A Gazeta questionou a Secretaria Municipal de Educação de Palmas (Semed), porém, não se manifestou oficialmente sobre o caso até o momento.

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