Saudosismo

“No meu tempo, não era assim.”
“Essa geração de hoje não tem compromisso nenhum.”
“Hoje em dia é tudo lacração.”
“A juventude está perdida.”

Não é incomum ouvir essas frases por aí. Não sei se elas são uma tentativa de descredibilizar o que é novo ou de manter um apego ao que já passou. Mas mostram que uma grande parte das pessoas mais maduras ainda é refém do saudosismo.

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Recentemente, ficou na moda falar mal da “geração Z”, que compreende os nascidos entre a metade dos anos 90 e o início dos anos 2010, dentro da qual me incluo. As acusações variam: de que são descompromissados, que são acomodados, que não respeitam as regras, que se ofendem fácil, que são egoístas…

Pessoalmente, queria saber de onde veio isso. Será que viram alguns exemplos ruins e estão generalizando, como se em nenhuma outra época houvesse esse tipo de gente? Respeito, dedicação, comprometimento, são valores que são ensinados ainda em casa. Se há algum problema, onde será que esteve a falha?

Porque o que eu vejo é bastante diferente disso. Eu vejo uma geração que se esforça para mudar a sua realidade e, quem sabe, o mundo. Eu vejo uma geração que procura diferentes formas de crescer e se adapta a muitas adversidades. Eu vejo uma geração que não quer continuar se submetendo a um ambiente que não a fará alguém melhor. Eu vejo uma geração que empreende, que inova, que busca sempre a mudança. Eu vejo uma geração que enxerga o mundo de forma diferente e vislumbra uma realidade mais igual e inclusiva. Eu vejo uma geração que se preocupa com nosso futuro.

E as críticas nem sempre são apenas às pessoas. Músicas, livros, filmes, programas de televisão… todos são acusados de terem a tal “lacração”. Ainda não entendi qual é o problema de vermos mais mulheres, negros e pessoas LGBTQIA+ ocupando papéis de protagonismo. Lembro das críticas que estouraram contra o livro O avesso da pele. Uma obra reconhecida nos mais diferentes âmbitos sendo julgada como lixo por causa de meia dúzia de termos sexuais? Não era a geração Z que se ofendia fácil?

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Vivemos em uma época diferente, isso é fato. Mas não podemos ser cegos e saudosistas de pensar que, antigamente, tudo era melhor. Há não muitos anos, eram milhões de pessoas que não tinham seus direitos básicos assegurados. Os índices de pobreza atingiam uma parcela muito maior da população. Um curso superior ou um trabalho digno eram realidades impensáveis para enorme parte das pessoas.
Cabe a nós, jovens, mudarmos esse panorama. E reitero que essa geração tem muito potencial. Basta dar um pouco de espaço e atenção ao que temos a dizer.

Afinal, será que antigamente era tudo melhor mesmo? Ou foi só que quem ficou mais velho também ficou mais chato?

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