O segredo da libélula

Nossos aventureiros concentram-se em torno da libélula pousada sobre o fóssil de trilobita. O que num primeiro momento lhes parece estranho aos poucos se torna familiar, até porque Cristian já falara que as libélulas viviam junto aos lírios num recanto da área do antigo Sanatório.

Mesmo assim, algo destoa. O trilobita, ostentando seus três lóbulos lamelados, não apenas sustenta a libélula, mas lhe faz contraste. Percebendo que poderia contribuir, Tanice instrui aos demais: “As libélulas, como vocês disseram, têm seis pernas e dois pares de asas. Seus olhos compostos são formados por milhares de lentes hexagonais. Olhos incríveis, que se abrem para um campo visual de até 360 graus”.

LEIA TAMBÉM: Old School Day vai agitar o Centro de Santa Cruz neste sábado; veja programação

Irene interrompe: “Então enxergavam quase como os trilobitas, não é mesmo?”. Tanice prossegue: “Sim, e outra coisa muito importante. As libélulas já vivem há 300 milhões de anos, praticamente o mesmo tempo de existência dos trilobitas, ainda que estes sejam bem mais antigos”.

A criança, que não esquecera da extinção dos trilobitas, aproveita a pequena pausa feita por Tanice e pergunta: “As libélulas foram mais espertas, para seguir vivendo até hoje?”. Tanice, em sorriso de reconhecimento à sagacidade da criança, não se furta: “Este é um dos segredos da natureza. Observem, a libélula fica frágil e quase desproporcional ao lado do trilobita. Só que ele está fossilizado, se extinguiu. Já a libélula, linda em suas cores, é ligeira no voo, pois chega a 80 quilômetros por hora. Tem mais: elas têm um significado todo especial. As libélulas representam a mudança. Assim, dá para entender que elas, nestes milhões de anos de sua existência, entenderam a relação dinâmica com seu meio”.

Cristian recorda: “Numa das reuniões sobre Plano de Bacia, a libélula foi escolhida como símbolo do Comitê Pardo”. A conversa se estende sobre o que é um comitê, um plano de bacia hidrográfica e como funcionavam as reuniões. Todavia, Eva, até agora mais compenetrada, fala com a intuição aflorando em suas palavras: “A força está na aparente fragilidade. Agora tudo começa a fazer sentido”.

LEIA TAMBÉM: Preparativos da Fenachim começam na próxima segunda-feira; veja programação

Antes de prosseguir, mostra a todos a lasca de arenito: “A libélula tem três pares de pernas, ou seja, seis. Também tem lentes hexagonais. Esta lasca de arenito tem seis lados e linhas sulcadas. Estas duas linhas, como já sabemos, representam nossa caminhada pelas fraturas de orientação noroeste do terreno. Fraturas onde se encaixa o córrego que nos conduziu até aqui. Mas as duas linhas também podem falar de outra coisa: da extinção do trilobita e da sobrevivência da libélula”.

“Assim como temos sempre a possibilidade de seguir por um caminho ou outro”, interrompe Irene.” “Exatamente”, segue Eva, que se ilumina: “Estamos próximos de entender a mensagem da lasca de arenito. Tanto a libélula quanto o trilobita tiveram, em diferentes tempos, oportunidades existenciais. Ambos vêm de longe, enxergavam muito, ocupavam praticamente todos os lugares. Ela chegou até aqui. Ele, de certa forma, também. Pois, mesmo extinto, segue aqui, mas para nos ensinar. Falta compreender os seis lados. O que significam exatamente?”.

Ao que Líris acrescenta: “Tem ainda a imagem da planta. Lembram que a gente imaginava uma planta desenhada na lasca de pedra? Olhando bem, acho que pode ser o esboço de um lírio, daqueles que crescem junto com os cogumelos no Sanatório”. E o consenso se faz eloquente, assim como o vento, que, misteriosamente, aumenta. Urge encontrar a origem precisa do vento.

Não tarda e visualizam a entrada de uma caverna. É dali que vem o vento. Cristian e Eva, Irene e Líris, a criança e os nativos, as abelhas e o cervo, o cardeal e o pombo, os troncos e criaturas adentram pela gruta aos passos de Tanice e ao rastejar das duas cobras. Luna se perfila ao lado de Tanice. A libélula alça voo e se alinha às abelhas.

Das paredes brota uma fosforescência que os orienta. Seguem. Para onde?

LEIA MAIS DE CULTURA E LAZER

quer receber notícias de Santa Cruz do Sul e região no seu celular? Entre no NOSSO NOVO CANAL DO WhatsApp CLICANDO AQUI 📲 OU, no Telegram, em: t.me/portal_gaz. Ainda não é assinante Gazeta? Clique aqui e faça agora!

The post O segredo da libélula appeared first on GAZ – Notícias de Santa Cruz do Sul e Região.

Adicionar aos favoritos o Link permanente.