Delegado detalha investigação e prisão de ex-vice-prefeito que tem histórico de agressão contra Delvânia

Durante coletiva de imprensa realizada nesta quinta-feira, 03, na Secretaria de Segurança Pública (SSP), o delegado José Lucas apresentou detalhes da investigação que culminou na prisão de Gilman Rodrigues da Silva, ex-vice-prefeito de Caseara, acusado de tentativa de feminicídio contra Delvânia Campelo da Silva, de 50 anos. O crime ocorreu no dia 22 de março, em uma propriedade rural na zona rural de Caseara.

O delegado traçou uma linha cronológica dos acontecimentos, explicando que a polícia tomou conhecimento do caso apenas no domingo, 23 de março, um dia após o crime, quando o boletim de ocorrência foi registrado em Palmas. A partir daí, os trabalhos investigativos começaram imediatamente.

“Hoje é o décimo terceiro dia, a partir da ocorrência do fato. É uma situação complexa, tendo em vista que no local dos fatos só havia autor e vítima. Hoje a gente está tendo a oportunidade de dar uma resposta tanto para os familiares quanto para a sociedade”, afirmou o delegado.

Relato dos acontecimentos

Segundo José Lucas, o crime foi motivado por uma discussão entre o casal, decorrente de ciúmes e possessividade. Durante o conflito, Gilman teria desferido diversos golpes com uma arma branca — o cabo de um rodo — principalmente na região da nuca de Delvânia.

“O senhor Gilman, por ser uma pessoa influente em Caseara, tanto economicamente quanto politicamente, detinha o controle da situação. Na data dos fatos, o que ocorreu foi uma nova discussão, e isso terminou com ele desferindo diversos golpes contra a vítima. Foram muitos golpes, o suficiente para desfalecê-la com o primeiro e ainda assim continuou”, detalhou o delegado.

Delvânia, em meio às agressões, conseguiu enviar mensagens de socorro em um grupo de WhatsApp formado por moradores de Caseara. Ela também chegou a enviar uma foto de sua mão lesionada. Contudo, Gilman, tentando desviar a atenção, enviou mensagens tranquilizando o grupo e afirmando que tudo estava controlado.

“O comportamento do autor foi importante na investigação porque ele coibiu a intervenção de terceiros. Ao enviar mensagens afirmando que a situação estava tranquila, ele retardou o socorro que poderia ter chegado antes”, explicou o delegado.

Fuga e apresentação à polícia

Após as agressões, Gilman fugiu do local e se dirigiu para Palmas, buscando refúgio com familiares. Ele se apresentou na terça-feira, 25 de março, na delegacia de Paraíso, acompanhado por um advogado. Durante o primeiro interrogatório, alegou legítima defesa, afirmando que Delvânia teria iniciado o conflito.

O delegado José Lucas contestou essa versão, ressaltando que os ferimentos apresentados por Gilman eram típicos de defesa. “Ele mostrou alguns pequenos machucados nos braços, que são totalmente associados a lesões de defesa. Ninguém que quer agredir alguém vai direcionar golpes aos braços; é um movimento intuitivo de proteger o próprio corpo”, apontou.

Além disso, a alegação de Gilman é considerada contraditória, já que ele afirmou ter desarmado Delvânia antes de desferir os golpes que a deixaram gravemente ferida. “Se ele alega que retirou o objeto das mãos dela, a situação de perigo cessou. O que ele faz dali para frente é considerado um excesso”, destacou o delegado.

Prisão preventiva decretada

A Polícia Civil requereu a prisão preventiva de Gilman Rodrigues com base na gravidade do crime, na tentativa de interferência nas comunicações de emergência e no histórico de violência doméstica.

“Identificou-se que esse fato não era inédito. Já havia relatos de agressões anteriores, inclusive um boletim de ocorrência registrado no ano passado por uma ex-esposa de Gilman aqui em Palmas. A prisão foi necessária para resguardar a ordem pública e impedir a prática de novos crimes”, explicou José Lucas.

Após o pedido da Polícia Civil e manifestação favorável do Ministério Público, o Poder Judiciário expediu o mandado de prisão, cumprido na manhã desta quinta-feira. Gilman foi encaminhado ao Instituto Médico Legal e posteriormente à Unidade Penal de Paraíso, onde permanecerá à disposição da Justiça.

O delegado informou ainda que o inquérito policial será concluído nos próximos dias e encaminhado ao Ministério Público para adoção das medidas legais cabíveis.

Delvânia Campelo permanece internada em estado grave na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Geral de Palmas (HGP).

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