Profundezas do oceano foram mapeadas do espaço por satélite da NASA

Levantar dados sobre o fundo do mar é uma tarefa difícil, mesmo com as tecnologias atuais. A atividade, contudo, é essencial para uma série de ações marítimas. A boa notícia é que um grupo apoiado pela NASA conseguiu um dos mapeamentos mais detalhados das profundezas do oceano feitos até agora, graças a uma ferramenta chamada SWOT.

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A missão Surface Water and Ocean Topography (SWOT) foi lançada em 2022, com o objetivo principal de fazer o primeiro levantamento global da água da superfície da Terra. O equipamento é resultado de um trabalho da NASA com a agência espacial francesa (CNES), além da parceria com a Agência Espacial Canadense (CSA) e a Agência Espacial do Reino Unido (UKSA).

Foto: YouTube NASA Scientific Visualization Studio / Reprodução

Embora mapear o fundo do mar não seja a principal função da missão SWOT, o instrumento demonstrou ser eficiente para tal, uma vez que é capaz de medir a altura da água em quase toda a superfície da Terra. Dessa habilidade, os pesquisadores extraíram dados sobre as diferenças de altura, para criar uma espécie de mapa topográfico. O estudo foi publicado em um artigo na revista Science.

 

Com ele em mãos, é possível, por exemplo, avaliar as mudanças no gelo marinho ou rastrear como as enchentes progridem. O ponto de destaque, contudo, é outro: analisar correntes do fundo do mar e os processos geológicos do planeta.

Nadya Vinogradova Shiffer, chefe de programas de oceanografia da NASA, explicou em comunicado que “é essencial mapear o fundo do mar tanto para oportunidades econômicas estabelecidas quanto emergentes.”

Isso inclui, por exemplo, a mineração de minerais raros no fundo do mar, a otimização de rotas de navegação e a detecção de riscos e operações de guerra no fundo do mar– detalhou

Para se ter uma ideia, montes submarinos e colinas abissais, que podem agora ser mapeadas, influenciam o movimento de calor e nutrientes nas profundezas do oceano, podendo atrair vida.

A análise com a missão SWOT

Para mapear o fundo do mar, os cientistas apostaram no fato de que montanhas e outras formações submersas são mais densas do que a água ao redor, logo, exercem uma força gravitacional maior, criando pequenas elevações na superfície do oceano. Assim, ao medir essas variações, foi possível identificar detalhes da paisagem submarina.

Foto: YouTube NASA Scientific Visualization Studio / Reprodução

O satélite SWOT, que cobre cerca de 90% do planeta a cada 21 dias, conseguiu registrar essas diferenças com uma precisão notável, captando até mesmo mudanças de poucos centímetros na altura da água. Com isso, os pesquisadores descobriram 100 mil montanhas submarinas espalhadas pelos oceanos.

 

Veja abaixo uma animação que mostra as características do fundo do mar em regiões do México, América do Sul e Península Antártica:

 

 

O estudo ainda revelou mais sobre a história geológica da Terra. Pequenas colinas no fundo do mar, que cobrem cerca de 70% do oceano, indicam como as placas tectônicas se movimentaram ao longo do tempo. Essas formações também afetam correntes oceânicas e marés, algo que os cientistas seguem explorando.

 

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