Pablo Marçal tinha razão? Nunes poderá apostar em teleférico em Brasilândia SP

Nos bastidores da administração municipal, o debate sobre transporte alternativo em São Paulo ganhou uma reviravolta. Após uma eleição marcada por críticas diretas à proposta de implantação de teleféricos em larga escala, o prefeito Ricardo Nunes passou a considerar a instalação de um sistema semelhante na zona norte da cidade. A região escolhida é a Brasilândia, conhecida por sua geografia desafiadora e carência de opções eficazes de mobilidade.

Pontos Principais:

  • Prefeitura de São Paulo estuda teleférico de R$ 1 bilhão na Brasilândia.
  • Modal terá 4,6 km de extensão e atenderá área com relevo acidentado.
  • Nunes justifica proposta como solução pontual, não replicável em toda a cidade.
  • Projeto contrasta com críticas feitas a proposta semelhante de Pablo Marçal.
  • Cabines comportarão até dez pessoas, com velocidade média de 18 km/h.

O projeto ainda está em fase de estudo, mas já conta com dados técnicos preliminares. A proposta envolve a construção de um teleférico com 4,6 km de extensão, velocidade média de 18 km/h e cabines com capacidade para até dez passageiros. A estimativa inicial de custo ultrapassa a marca de R$ 1 bilhão. Segundo a prefeitura, o investimento se justifica pelo contexto específico da área, que apresenta declives acentuados e problemas estruturais de acesso.

Teleférico de R$ 1 bi: São Paulo planeja modal exclusivo para vencer relevo da Brasilândia - Imagem: SP Urbanismo/Divulgação
Teleférico de R$ 1 bi: São Paulo planeja modal exclusivo para vencer relevo da Brasilândia – Imagem: SP Urbanismo/Divulgação

Durante uma conversa com a imprensa, Nunes foi categórico ao afirmar que o modal não deve ser entendido como uma solução ampla para toda a cidade. Segundo ele, o uso de teleféricos deve ser avaliado apenas para casos pontuais, onde a topografia compromete alternativas mais convencionais. A declaração marca um contraste direto com a campanha eleitoral anterior, quando o prefeito classificou propostas semelhantes como impraticáveis.

Proposta técnica e justificativa geográfica

A Brasilândia é apontada como o local ideal para esse tipo de intervenção por conta da sua conformação topográfica. De acordo com informações técnicas fornecidas pela prefeitura e pela SP Urbanismo, a região possui elevações abruptas e traçados urbanos irregulares que dificultam a instalação de sistemas sobre trilhos ou corredores de ônibus. O teleférico, nesse contexto, seria uma alternativa viável para encurtar distâncias e conectar moradores a outros modais.

Pedro Martin Fernandes, presidente da SP Urbanismo, afirmou que o projeto se alinha com a geografia do local e pode ser integrado com outras formas de transporte. Ele defende que o sistema aéreo pode melhorar significativamente a acessibilidade em áreas hoje isoladas, mas ressalta que se trata de uma medida pontual, sem aplicação em massa para outras áreas da capital paulista.

Além da topografia, o adensamento populacional da Brasilândia também pesou na escolha. Trata-se de uma região com grande número de moradores e com oferta limitada de transporte público de qualidade. A intenção da prefeitura é que o teleférico funcione de forma integrada ao sistema municipal, ampliando o alcance das linhas de ônibus e reduzindo o tempo de deslocamento.

Contexto político e repercussão

A mudança de postura do prefeito em relação ao teleférico ocorre meses após o encerramento da campanha municipal, na qual a proposta de transporte aéreo foi tema recorrente. O então candidato Pablo Marçal, adversário político de Nunes, defendia a criação de uma rede extensa de teleféricos na cidade. À época, Nunes rechaçou a proposta, classificando-a como fora da realidade da cidade por conta de limitações técnicas e financeiras.

Agora, ao admitir a possibilidade de instalar o modal na Brasilândia, Nunes faz questão de reforçar que o projeto não contradiz sua posição anterior. Segundo ele, o teleférico proposto atende a uma situação específica, sem se transformar em política pública de abrangência geral. Ainda assim, a proposta gerou repercussão política, sendo alvo de questionamentos sobre coerência e prioridades de investimento.

A vereadora Sandra Santana, do mesmo partido de Nunes, já foi acionada para debater o assunto e acompanhar os estudos de viabilidade. A movimentação nos bastidores da Câmara Municipal indica que o projeto poderá ser usado como pauta estratégica em futuras negociações políticas e debates sobre mobilidade urbana. A tramitação, no entanto, ainda depende de análises técnicas e orçamentárias mais aprofundadas.

Planejamento e custos estimados

O valor previsto para a implantação do teleférico é de aproximadamente R$ 1 bilhão, o que inclui estudos de solo, desapropriações, estrutura de cabos, torres, estações e aquisição das cabines. A prefeitura reconhece que o custo é elevado e que, por isso, a iniciativa deve ser tratada como uma exceção dentro do planejamento urbano da cidade.

Entre os pontos considerados no planejamento técnico estão:

  • Viabilidade da estrutura em terreno acidentado.
  • Impacto nas comunidades locais e no tráfego urbano.
  • Integração com corredores de ônibus e estações de metrô próximas.
  • Manutenção e operação do sistema após a inauguração.
  • Parcerias público-privadas como alternativa para viabilizar a obra.

O modelo em análise é semelhante a teleféricos já existentes em outras cidades da América Latina, como Medellín, na Colômbia, mas adaptado às especificidades urbanas de São Paulo. As cabines, com capacidade para até dez pessoas, serão desenhadas para funcionar em fluxo contínuo, permitindo embarques e desembarques em estações intermediárias.

Desdobramentos e próximos passos

Os próximos passos envolvem a consolidação dos estudos técnicos e a consulta pública com moradores da Brasilândia. A prefeitura pretende realizar audiências na região para apresentar o projeto e ouvir sugestões da população. O processo será conduzido pela SP Urbanismo e deve incluir simulações e maquetes digitais para facilitar a compreensão das mudanças previstas.

Além disso, a gestão municipal estuda a possibilidade de buscar financiamento externo, inclusive com bancos de desenvolvimento internacionais, para custear parte da obra. As discussões também envolvem órgãos ambientais e de patrimônio, devido ao possível impacto em áreas sensíveis.

Caso os estudos confirmem a viabilidade técnica e orçamentária, a prefeitura pode iniciar o processo de licitação ainda em 2025. O cronograma estimado ainda não foi divulgado oficialmente, mas há expectativa de que a obra leve pelo menos três anos para ser concluída após o início da construção.

Fonte: UOL, InfoMoney e CNN.

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