‘Ela teve pesadelo de noite, não pode ficar no escuro’, diz mãe da menina sequestrada no RS


Criança desapareceu após sair sozinha para brincar, em Tramandaí. Suspeito de crime foi morto por moradores. Mãe da menina sequestrada deu detalhes do que a criança passou
André Ávila / Agencia RBS
A mãe da menina sequestrada em Tramandaí, no Litoral Norte do Rio Grande do Sul, deu detalhes sobre como a criança está depois do rapto. A menina foi encontrada por policiais dentro de um alçapão de uma loja de conveniência, na manhã de quarta-feira (26).
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Segundo a mãe, que não vai ser identificada pela reportagem, a menina está traumatizada, a ponto de não conseguir dormir no escuro. Conforme a polícia, ela pode ter ficado cerca de 12 horas no porão.
“Agora ela está mais calma, né? Mas ela teve pesadelo de noite. Ela não pode ficar no escuro”, relatou a mãe.
O suspeito do crime, Marco Antônio Bocker Jacob, de 61 anos, teria oferecido picolé para atrair a menina. O homem foi linchado por moradores que acompanhavam o resgate.
A mãe disse, em entrevista à Rádio Gaúcha na quinta-feira (27), que pretende se esforçar para que a filha supere o trauma.
“Agradeço muito a Deus. Prometi que eu vou auxiliar e vou orar o resto da minha vida e vou dar o que ela quiser. Vou dar o que ela quiser, que eu vou me esforçar o máximo para fazer ela feliz, fazer ela esquecer isso”, disse a mulher.
Alçapão onde criança sequestrada foi mantida, em Tramandaí
André Ávila/ Agência RBS
A mãe da vítima também informou que, após ser resgatada, a criança foi encaminhada para atendimento especializado em um hospital de Porto Alegre. Ela já retornou para casa.
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Menina iria para pracinha
Conforme relato da mãe, a menina costumava brincar com as outras crianças no pátio de casa, para evitar de sair para a rua. No entanto, na terça-feira (25), as crianças iriam para uma pracinha, foi então que abriu uma exceção.
“Ela me pediu ‘mãe, eu posso ir na pracinha? As crianças dali da frente vão, meus amiguinhos’. Eu não ia deixar, daí fiquei com pena dela. Ainda disse para o meu marido ‘amor, vou deixar ela brincar um pouquinho ali, as crianças tudo vão ali'”, relembra.
Quando a mãe percebeu que a filha não estava na pracinha, ela conta que o sentimento foi de “culpa”.
“Todo mundo disse que eu não tinha culpa”, diz. “Sinto culpa ainda porque se eu não tivesse deixado (ela ir), não teria acontecido nada”, comenta a mulher.
O sargento Christian Pacheco, que agiu no resgate da vítima, afirma que a mãe “não tem que se culpabilizar”.
“Era um criminoso que estava ali agindo. Ele tinha antecedentes nesse sentido e, infelizmente, a pequena foi vítima”, disse Pacheco.
A mãe da vítima afirma que a pequena não quer falar sobre o ocorrido. O combinado dentro de casa é que ninguém comente sobre o assunto perto da criança.
“Ela disse ‘mãe, eu não quero falar nada, eu não quero que ninguém fale'”, conta.
Estabelecimento onde a criança foi mantida, em Tramandaí
André Ávila / Agencia RBS
De acordo com o sargento Pacheco, do 2º Batalhão de Choque de Santa Maria, que participa da Operação Golfinho do Litoral Norte, a preocupação dos agentes enquanto Brigada Militar era salvar a vida da criança.
“Nos sensibilizamos com esse fato porque somos pais. É até complicado a gente falar e não embargar a voz porque a minha filha tem nove anos também. Quando eu falei com ela ali eu ouvi a voz da minha filha”, relata.
Entenda o que aconteceu
À RBS TV, o pai da menina relatou que ela havia saído de casa no final da tarde de terça-feira (25), por volta das 16h, para brincar na praça em frente à residência devido ao calor intenso.
Familiares estranharam a demora para seu retorno e iniciaram as buscas nas proximidades. Com a ajuda de vizinhos, espalharam cartazes e acionaram um carro de som que percorreu as ruas anunciando o desaparecimento.
Durantes as buscas, o pai da menina foi até a loja de conveniência onde a criança era mantida refém pelo suspeito. Ele contou, em depoimento à reportagem da RBS TV, que estranhou a conduta do homem quando perguntou sobre sua filha. Ele descreve que uma música muito alta tocava no local, o que chamou sua atenção. Ele também suspeitou de um arranhão no nariz do suspeito.
A Brigada Militar e a Polícia Civil foram chamadas e, por meio de imagens de câmeras de segurança, identificaram a menina entrando na loja. Ao chegarem ao local, os agentes ouviram gritos de socorro vindos do interior do estabelecimento.
Uma busca imediata foi realizada e a criança foi encontrada presa em um compartimento escondido.
“Puxamos ela pelo braço e ela foi no colo de um colega”, relata o sargento Pacheco. “Nós conseguimos com êxito tirar ela do local, colocar numa viatura discreta com a família e ir pra pra UPA dar o primeiro atendimento pra ela”, finaliza.
Suspeito foi linchado
Apontado como o homem que sequestrou uma menina de 9 anos e a manteve presa em um alçapão por cerca de 12 horas em Tramandaí, no Litoral Norte do Rio Grande do Sul, Jacob estava em prisão domiciliar até janeiro, segundo o Tribunal de Justiça do RS.
O dono da conveniência recebeu voz de prisão no momento do resgate, segundo a Polícia Civil. Uma pessoa que estava dentro do estabelecimento alertou moradores sobre a detenção, o que teria desencadeado a revolta. O suspeito foi linchado por moradores e morreu em decorrência das agressões.
Os PMs que prestavam atendimento à criança informaram que solicitaram apoio e tentaram impedir o ataque, mas uma grande quantidade de pessoas se aglomerou, agrediu o suspeito, depredou a loja e destruiu um carro que estava em frente.
A Brigada Militar disse que interveio com balas de borracha, gás de efeito moral e spray de pimenta para dispersar a multidão.
Carro foi destruído por moradores revoltados com suspeita de abuso de criança em Tramandaí
Reprodução/RBS TV
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